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balanço
hídrico
O que é?
O balanço hídrico mostra a relação entre a água retirada para uso (demanda) e água considerada disponível (oferta).
Demanda
Oferta
Como é calculado?
Oferta
Demanda
soma das retiradas de água
disponibilidade hídrica
indústria
irrigação
abastecimento urbano
outros
rios
reservatórios
Para que serve?
Orientar a gestão dos recursos hídricos
Identificar pressões e potenciais conflitos entre usos
Apoiar o planejamento
em bacias hidrográficas
Limites
Estimativas de
oferta e demanda possuem incertezas
Nem sempre ouso
está vinculado ao manancial real
Pequenos
reservatórios
ainda pouco representados
neste tema
Balanço hídrico

Balanço hídrico

O balanço hídrico quantitativo é um indicador do nível de comprometimento hídrico, obtido pela razão entre a demanda e a oferta de água. É utilizado para orientar a gestão e o planejamento nas bacias hidrográficas brasileiras, visando garantir a segurança hídrica.

Por meio do balanço hídrico, é possível estimar quanto da disponibilidade hídrica está sendo utilizada para atendimento de usos consuntivos. Trata-se, portanto, de uma ferramenta de gestão capaz de identificar pressões e potenciais conflitos que podem incidir sobre os recursos hídricos diante de diferentes cenários.

Para o cenário atual, com demandas referentes ao ano de 2024, o balanço hídrico foi realizado por trecho de rio, classificando-se o nível de comprometimento hídrico dos trechos em: baixo (abaixo de 5%), moderado (5% a 30%), alto (30% a 70%), muito alto (70% a 100%), crítico (acima de 100%) e intermitente (oferta nula). Observa-se que a maior parte do território nacional apresenta baixos níveis de comprometimento, que crescem em direção à região leste do país, onde se concentra a maior parte da população e, consequentemente, da demanda por água. De modo geral, as áreas na classe crítica estão associadas a polos de agricultura irrigada, que tendem a se desenvolver em regiões com condições favoráveis, como fertilidade do solo, clima, logística e boas condições iniciais de disponibilidade de água. Nesses locais, o crescimento concentrado da atividade irrigada tem exercido pressão crescente sobre os recursos hídricos disponíveis.

A interpretação dos resultados do balanço deve considerar tanto as incertezas inerentes às estimativas de oferta e demanda quanto as limitações do balanço hídrico nesse nível de detalhamento. Diferentemente dos cadastros de outorga, as demandas aqui são estimadas ano a ano e atribuídas espacialmente ao local de uso, o que nem sempre corresponde ao manancial real de suprimento, mesmo nos casos de captação superficial. Além disso, ofertas locais, como as de pequenos reservatórios voltados à irrigação, ainda não estão devidamente representadas. Apesar dessas limitações, o balanço de demandas complementa o balanço de outorgas, fornecendo uma perspectiva mais próxima do comprometimento real da disponibilidade hídrica pelos usos efetivos em cada ano.

No balanço apresentado, a demanda corresponde ao somatório das  estimativas de vazão de retirada, provenientes da base de dados da segunda edição do Manual de Usos Consuntivos da Água no Brasil. Nessa estimativa não há identificação de manancial - superficial ou subterrâneo - e os valores são espacialmente atribuídos ao local de utilização. Exceção se aplica ao abastecimento urbano, cuja vazão foi associada ao ponto de captação, e apenas a parcela superficial foi contabilizada. A oferta, por sua vez, corresponde a uma vazão de alta garantia, definida como disponibilidade hídrica, e agrega a vazão Q95 do rio e o acréscimo de garantia oferecido pelos reservatórios, de acordo com seu modo de operação.

A agregação dos resultados por UGRH permite uma avaliação regional tanto da distribuição espacial das classes de balanço quanto da correspondente concentração das demandas hídricas. De modo geral, observa-se que as condições mais críticas tendem a estar associadas a altas concentrações de demanda dentro da UGRH. A UGRH Uruguai é um exemplo representativo desse padrão: embora apenas 9,4% dos trechos estejam classificados como de comprometimento crítico, esses trechos concentram 66,3% das demandas instaladas.

O balanço trecho a trecho ainda não é suficientemente representativo para análise de bacias do Semiárido, onde parte significativa dos rios é intermitente. Nessa região, grande parte da oferta hídrica provém de reservatórios e é distribuída por meio de adutoras e canais que não estão representados na base hidrográfica. Nessas bacias, a associação das demandas à sua real fonte de captação fica restrita, em geral, ao abastecimento urbano, cujos mananciais de captação estão mapeados para todo país.

Nas UGRHs Piancó-Piranhas-Açu, Litorâneas do Ceará e Litorâneas do Rio Grande do Norte, por exemplo, cerca de 60% das demandas estão associadas a trechos intermitentes. Para esses casos, foi realizado um balanço simplificado, verificando-se que o total de retiradas compromete, respectivamente, 32%, 45% e 82% da oferta em cada UGRH.

Já na UGRH São Francisco, 26% das demandas estão originalmente vinculadas a trechos intermitentes. Nesse caso, parte das demandas em perímetros de irrigação foi associada ao seu verdadeiro manancial, reduzindo a parcela de demandas em rios intermitentes para 8%. Iniciativas semelhantes estão previstas em outras regiões, com objetivo de melhorar a representatividade do balanço.