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segurança hídrica
Segurança Hídrica
Garantia de oferta de água para desenvolvimento de atividades produtivas
Garantia de oferta de água para desenvolvimento de atividades produtivas
Principais Componentes da Segurança Hídrica
Controle de poluição e compatibilização da qualidade da água para diferentes usos
Água em quantidade e qualidade suficientes para pessoas, economia e ecossistemas, com risco aceitável a secas e cheias.
Redução de riscos associados a eventos críticos de secas e inundações
Fatores de Risco
Falta de investimento
em infraestrutura
Poluição e ocupação
desordenada
Crescimento
populacional
Mudança
climática
Índice de Segurança Hídrica
Além de subsidiar as medidas indicadas no PNSH, o ISH pode orientar planos, projetos e iniciativas nas diferentes esferas de governo, direcionando a implementação de políticas públicas e investimentos em segurança hídrica.
Plano Nacional de
Segurança Hídrica
Lançado em 2019 (ANA/MIDR) 166 intervenções estratégicas Investimento estimado R$ 26,9 bi
Dimensão
humana
Dimensão
econômica
Dimensão
ecossistêmica
Dimensão de
resiliência
Caminhos para Fortalecer a Segurança Hídrica
Integração entre gestão de recursos hídricos, gestão ambiental, clima e uso do solo
Governança e dados
abertos para decisões
baseadas em evidências
Universalização do saneamento básico
Expansão de infraestrutura híbrida (verde + cinza)

Segurança Hídrica

A segurança hídrica existe quando há disponibilidade de água em quantidade e qualidade suficientes para o atendimento às necessidades humanas, à prática das atividades econômicas e à conservação dos ecossistemas aquáticos, acompanhada de um nível aceitável de risco relacionado a secas e cheias, de acordo com o conceito da Organização das Nações Unidas (ONU). Essa definição considera 4 dimensões: econômica, humana, ecossistêmica e de resiliência, que devem ser balizadoras para a gestão da água, no sentido de garantir equidade ao acesso, preservação do recurso natural e a prevenção e mitigação de impactos oriundos de crises e desastres ambientais.

As dimensões são afetadas por fatores como o aumento populacional, e consequente aumento das demandas de uso da água, alterações no uso da terra, ocupação desordenada do solo e poluição hídrica, especialmente em áreas urbanas, mudança climática e suas consequências no ciclo hidrológico, além da insuficiência de investimentos em infraestrutura hídrica, incluindo construção, manutenção e operação de reservatórios. Os efeitos sinérgicos entre esses fatores, associados a períodos mais críticos de escassez de chuvas, por exemplo, podem resultar em insegurança hídrica e na instalação de crises hídricas.

Entre os aspectos envolvidos para promover a segurança hídrica em uma bacia, incluem-se ações relacionadas à infraestrutura cinza e à infraestrutura verde. A infraestrutura cinza compreende soluções tradicionais de engenharia, como barragens, sistemas de adução, redes de abastecimento e drenagem, diques, dentre outros. Já a infraestrutura verde envolve soluções baseadas na natureza (SbN), que utilizam processos e funções ecossistêmicas como alternativas sustentáveis e complementares à infraestrutura convencional. Exemplos incluem a restauração de matas ciliares, a preservação de áreas úmidas e a implantação de parques alagáveis, práticas capazes de melhorar a disponibilidade e a qualidade da água, além de aumentar a resiliência dos sistemas hídricos frente à mudança climática e à pressão antrópica.

Plano Nacional de Segurança Hídrica

Devido às dimensões territoriais do país e à diversidade das condições hídricas regionais, de forma geral, as soluções para segurança hídrica no Brasil passam pela implantação de projetos de infraestrutura de grande porte. O Plano Nacional de Segurança Hídrica (PNSH), lançado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) em 2019, baseado na avaliação dos fatores geradores de insegurança hídrica no país, avaliou a pertinência das principais intervenções estruturantes de natureza estratégica e relevância regional, necessárias para garantir a oferta de água para o abastecimento humano e para o uso em atividades produtivas, e melhorar a gestão dos riscos associados a eventos críticos (secas e cheias).

O PNSH apontou um conjunto de intervenções estratégicas para a minimização dos riscos associados à escassez de água e ao controle de cheias que somam cerca de R$ 26,9 bilhões, recomendando 166 intervenções, entre obras, projetos e estudos no Programa de Segurança Hídrica (PSH).

Índice de Segurança Hídrica

O Índice de Segurança Hídrica (ISH) foi concebido no âmbito do PNSH para retratar, com simplicidade e clareza, as quatro dimensões de segurança hídrica (humana, econômica, ecossistêmica e de resiliência). Cada dimensão é composta de um ou mais indicadores, que, por sua vez, são formados por uma combinação de variáveis ou atributos mensuráveis.

Além de subsidiar as medidas indicadas no PNSH, o ISH pode orientar planos, projetos e iniciativas nas diferentes esferas de governo, direcionando a implementação de políticas públicas e investimentos em segurança hídrica. As dimensões humana e econômica permitem quantificar os déficits de atendimento às demandas efetivas (abastecimento humano e setor produtivo) e riscos associados. As dimensões ecossistêmica e de resiliência possibilitam identificar as áreas mais críticas e vulneráveis.

Embora, no âmbito do PNSH, o ISH tenha sido aplicado com foco em obras de infraestrutura cinza, seu conceito é mais amplo e não se restringe a esse tipo de solução. Ao indicar um déficit de segurança hídrica em determinada região, o índice sinaliza a necessidade de investimentos para reduzir a vulnerabilidade local — que podem incluir, mas não se limitam a obras estruturais. Esses investimentos podem abranger ações de gestão integrada, fortalecimento de governança, conservação de mananciais, implementação de soluções baseadas na natureza, melhoria de eficiência no uso da água e outras medidas que contribuam para assegurar a disponibilidade e qualidade da água de forma sustentável.

A composição de um índice padronizado facilita a comunicação e permite a realização de leituras em diferentes recortes (bacia hidrográfica, região, estado e município, por exemplo), além de comparações diretas entre esses recortes. Originalmente utilizado no PNSH, o ISH indicou a segurança hídrica nas áreas de contribuição da base hidrográfica ottocodificada do Brasil para os anos de 2017 e 2035. A fim de facilitar sua adoção na gestão política e econômica do território, a metodologia foi adaptada para fornecer o índice para os municípios brasileiros, tendo como referência novembro de 2024.

Nessa atual abordagem do ISH, o Índice de Segurança Hídrica do Abastecimento Urbano (ISH-U), desenvolvido no âmbito do Atlas Águas, publicado em 2021, também foi considerado, acrescentando assim ao ISH elementos relacionados à vulnerabilidade da produção e à eficiência da distribuição de água, o que o torna especialmente útil para análises em contextos urbanos.

O ISH municipalizado não constitui uma atualização ou revisão metodológica dos índices originalmente publicados. Trata-se, na realidade, de uma releitura ou interpretação dos índices já existentes, tanto o ISH do Plano Nacional de Segurança Hídrica (PNSH) quanto o Índice de Segurança Hídrica do Abastecimento Urbano (ISH-U), adaptando-os para a escala municipal brasileira. As bases originais, metodologias e os dados que compõem cada indicador permanecem inalterados, assim como as datas de referência já estabelecidas nas respectivas publicações originais.

A Região Nordeste e o extremo sul do Brasil são as áreas que apresentam o maior número de municípios com índices de segurança hídrica mais críticos (baixo e mínimo). Na Região Nordeste, isso ocorre devido às características ambientais do Semiárido e à intermitência de muitos cursos d’água. Na porção do extremo sul do país, no estado do Rio Grande do Sul, o baixo ISH pode ser explicado pela elevada pressão sobre os recursos hídricos disponíveis devido à histórica ocupação do solo por lavouras de arroz irrigado, associada à grande variabilidade pluviométrica.

Nas regiões com maior segurança hídrica, o resultado do ISH se deve à maior disponibilidade hídrica natural combinada com menores pressões de demandas. Cabe ressaltar também a importância relativa dos reservatórios, que conferem às suas áreas de influência uma resiliência maior aos eventos extremos de secas, elevando a segurança hídrica dessas regiões.

No estudo completo sobre o ISH dos municípios brasileiros, é possível verificar como cada dimensão contribui para a formação do índice, permitindo identificar ações no sentido de aumentar a segurança hídrica com enfoque na dimensão eventualmente mais sensível.

A partir da dimensão humana, avalia-se a garantia da oferta de água para o abastecimento de todas as cidades do país, buscando identificar as regiões mais críticas, nas quais a população está mais exposta a riscos de não atendimento. A análise da dimensão humana permite, por exemplo, identificar municípios onde são requeridos sistemas adutores ou o aproveitamento de outras fontes hídricas (existentes ou que demandam nova infraestrutura). 

Em 2024, 22,2% dos municípios brasileiros foram classificados com graus baixo e mínimo de ISH para essa dimensão. Municípios nessas categorias de ISH são encontrados em todas as regiões do país, mas estão concentrados principalmente na Região Nordeste.

Da dimensão econômica, é possível obter a informação sobre os riscos relacionados à oferta de água a que os setores agropecuário e industrial estão sujeitos, indicando, por exemplo, a necessidade de implementar ou aperfeiçoar infraestruturas hídricas para o atendimento dos usos múltiplos da água. Em 2024, 32,3% dos municípios foram classificados com ISH mínimo ou baixo na dimensão econômica, sendo que a maioria deles está na Região Nordeste e no sul do Rio Grande do Sul.

A dimensão ecossistêmica, que integra aspectos relacionados à qualidade da água e meio ambiente, sinalizando a vulnerabilidade de mananciais usados para abastecimento e usos múltiplos, revelou que, em 2024, cerca de 27% dos municípios encontram-se com nível de ISH mínimo, devendo-se principalmente a elevadas concentrações de DBO, o que sugere poluição por esgoto doméstico não tratado.

Destaca-se que, devido à intermitência dos rios no Nordeste, os municípios dessa região tendem a naturalmente apresentar situação mais crítica a concentrações elevadas de DBO. Além disso, os municípios mais próximos à região costeira também tendem a apresentar valores mais críticos, especialmente devido a maior concentração populacional. Nesses municípios, investimentos em obras de saneamento básico, tais como coleta e tratamento de esgotos e drenagem de águas pluviais, concomitantemente com ampliação da oferta hídrica, são de grande importância para melhoria efetiva do ISH.

A dimensão de resiliência do ISH expressa o potencial dos estoques de água naturais e artificiais do Brasil para suprimento de demandas a múltiplos usuários em situações de estiagem severa e seca, eventos que podem ser agravados pela mudança climática. A análise dessa dimensão permite identificar, por exemplo, áreas em que um balanço hídrico deficitário é mais crítico devido à alta variabilidade pluviométrica somada à ausência de reservatórios ou de águas subterrâneas, indicando a necessidade de infraestrutura hídrica mais complexa e, em geral, de caráter integrado e de abrangência regional.

Os resultados mostram que, em 2024, cerca de 58% dos municípios brasileiros encontravam-se com grau baixo ou mínimo na dimensão resiliência do ISH. A distribuição espacial das municipalidades é bastante heterogênea cobrindo grande parte do território, sendo a Região Nordeste a mais vulnerável.